O viés de sobrevivência (survival bias) é um erro lógico que ocorre quando analisamos apenas os casos que “sobreviveram” a um determinado processo, ignorando todos os que ficaram pelo caminho.
Isso gera uma percepção distorcida da realidade — normalmente muito mais optimista do que deveria ser.
Um dos exemplos mais conhecidos vem da Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, os engenheiros analisavam os aviões que regressavam das missões e identificavam padrões de buracos de bala nas asas e na fuselagem. Então, procuravam reforçar precisamente essas zonas. No entanto, os aviões analisados eram apenas os que tinham sobrevivido. Os que não regressavam provavelmente tinham sido atingidos em zonas críticas — como o motor ou o tanque de combustível. Ou seja, a blindagem deveria ser colocada exactamente onde não havia buracos nos aviões sobreviventes.
Nos investimentos, este erro é extremamente comum. Quando avaliamos estratégias de investimento, fundos, carteiras e acções de sucesso, não podemos esquecer as centenas de casos de empresas que desapareceram, foram adquiridas em dificuldades ou simplesmente destruíram capital; e também não podemos ignorar os ciclos económicos – pois, o que funcionou ao longo de 5-10 anos, poderá não funcionar nos próximos 20-30 anos.
